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Política

05/09/2019 10:58

Previdência Social, Dívida Pública e as prioridades do Governo Bolsonaro

A PREVIDENCIA SOCIAL brasileira é o alvo principal do governo Bolsonaro, entretanto, conta da Dívida pública brasileira que consome 50% do orçamento da união, sequer é cogitada em qualquer reforma.

 

 

                                No artigo, Reforma da previdência de Bolsonaro, remédio amargo ou veneno fatal?, falamos sobre a propensão de colapso na economia e a possível quebra da própria previdência social.

                               Agora trataremos sobre os motivos que provavelmente está por trás da agenda liberal que estão reimplantando no país e porque o alvo principal é a previdência social.

                               Os argumentos do governo é que precisa economizar, cortando gastos e reduzindo ao máximo as despesas do Estado, para que a economia consiga se desenvolver, sendo seu principal alvo a previdência.

                               A pergunta que se faz é para onde vai ou o que será feito com o dinheiro economizado com os cortes de gastos e com as reformas que estão sendo aprovadas, já que, conforme demonstrado no artigo Reforma da previdência de Bolsonaro, a tendência é a economia entrar em colapso e não se desenvolver, como dizem.

                               Certamente, a grande maioria responderá que o dinheiro economizado será para pagar a conta da corrupção brasileira, porém, a resposta não está correta, tendo em vista que se trata de 1 trilhão de reais em 10 anos e jamais conseguiriam meter a mão em sua totalidade.

                               Vejamos que nas operações quando prendem corruptores (aqueles que pagam propina), sempre dizem que foi pago de 1% a 2% de propina de determinado contrato, é claro que há casos em que o percentual é maior, entretanto, nos grandes valores verifica-se tais percentuais.

                               Dessa forma, podemos inferir que a parte que poderá ir para o pagamento de corrupto é baixíssima.

                               Então, para onde irá essa cifra trilhonaria que pretendem economizar às custas da maioria esmagadora da população brasileira.

                                Há que se destacar que o orçamento ou os gastos da União não reduzirá nos próximos anos, nem mesmo na mesma proporcionalidade da redução das despesas com as reformas e corte de gastos.

                               Para entendermos, basta visualizarmos como está dividido o orçamento do País, vejamos:        

                               As principais despesas, considerando os maiores valores despendidos, são:

  • Juros/Amortização da dívida pública
  • Previdência Social;
  • Transferência para os Estados e Municipios
  • Gastos com pessoal, Saúde, Educação;
  • Outros gastos.

No gráfico a seguir podemos visualizar o percentual de cada conta de despesa:

 

                               Ao batermos os olhos nos dados do gráfico perceberemos que as despesas Juros/amortização da dívida pública consomem praticamente 50% do orçamento nacional, sendo que a previdência social é o segundo maior gasto do governo, alcançando cerca de 22% do orçamento nacional.

                               Então temos que as duas maiores despesas do Estado brasileiro são os pagamentos dos juros/amortização da dívida e da previdência social, entretanto, o percentual gasto com juros/amortização é o dobro do valor que vai para previdência.

                               Ao realizarmos um comparativo entre a quantidade de pessoas que recebem o juros/amortização da dívida com a quantidade de pessoas que recebem benefícios da previdência social, perceberemos que há uma discrepância enorme, pois, enquanto a previdência possui cerca de 5 milhões de benefícios concedidos, os gastos com juros/amortização da dívida pública brasileira vai para uma parcela que chega ser insignificante em comparação com a população brasileira.

                               Em que pese não ser divulgado o número total de pessoas/empresas que recebem esses valores, podemos ter uma noção pelo percentual de distribuição para cada setor, sendo cerca de 25% para fundos de previdência, 22,3% para bancos, 25,5% para fundos de investimentos, 12% para estrangeiros e demais para governo e outros.

                               A partir desses números podemos concluir que quase 48% vai para os bancos ou estão sobre o seu controle, ou seja, quase a metade do valor da despesa com juros/amortização da dívida pública vai para os grandes bancos privados, que no Brasil são apenas 3, os demais estão pulverizados entre rentistas.

                               A partir de tais dados, considerando o enorme domínio do sistema financeiro sobre os governos brasileiros, principalmente, nos declaradamente liberais, como é o caso do Governo Bolsonaro, não é difícil concluir porque a previdência social que, atende milhões de brasileiros e possui um enorme efeito multiplicador na economia, é a bola da vez.

                               Primeiro porque é a segunda maior despesa do Estado Brasileiro, sendo que a terceira, transferência para os Estados e munícipios, seria praticamente impossível reduzí-la, visto, que envolve todos os demais entes da federação e, dificilmente passaria qualquer reforma que visasse reduzir tais gastos, posto que o congresso nacional que aprova ou desaprova os projetos enviados pelo governo, são representantes de tais entes federativos e certamente, não teriam interesse em mexer nessa despesa.

                               Segundo, porque quando se pensa em redução de gastos é normal buscar a maior, mas, por que não se vê falar em qualquer projeto de reforma, a redução dos gastos com juros/amortização da dívida pública brasileira, se essa é a despesas que consome praticamente a metade do orçamento do país e a que vai para o menor número de pessoas, ou seja, a pior distribuição de renda entre todas a contas?

                               Uma das respostas é que o setor/segmento que recebe os juros da dívida, também é o segmento que investe fortemente nas campanhas políticas, visando eleger suas bancadas federais, da mesma forma, investe bilhões em publicidade, tendo de certa forma, o controle da mídia.

                               Ou seja, possuem grande influência no Congresso Nacional onde são aprovadas ou reprovadas as reformas e também sobre a mídia nacional, um dos setores responsável pela divulgação e formação da opinião da população brasileira.

                               Analisando de outra perspectiva, perceberemos que em relação às receitas do Estado brasileiro, a arrecadação relativa à previdência social alcança quase 1 trilhão de reais por ano, sendo em torno de 16% do PIB brasileiro, entretanto, de outro norte a conta juros/amortização da dívida não gera receita, mas dívida renovada, ou seja, enquanto a conta previdência social ser despesa, mas que também gera receita, a conta juros/amortização só gera despesa.

                               Então, a resposta, a partir da análise acima, é simples, toda a economia com a reforma da previdência e com os cortes de gastos do Estado brasileiro, certamente irá parar nas mãos dos credores da dívida pública brasileira, que em sua maioria são Bancos.

                               A sociedade brasileira precisa compreender que a maior parte da economia que pretendem realizar com a reforma da previdência irá parar nas mãos do setor que mais lucra no país, independente de crise, o sistema financeiro, ou segmento que não gera qualquer produção ou qualquer efeito multiplicador na economia, os rentistas.

                               E conforme, já demonstrados nos Artigos Reforma da previdência e o projeto econômico de Bolsonaro, esse desvio de valores para setores da economia que não geram produção, tendem a levar o país ao colapso econômico.

                     

Fonte: Da redação do Site Assimetria          


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