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Economia

04/01/2019 13:27

A TEORIA LIBERAL E A TENDÊNCIA AO APROFUNDAMENTO DA CRISE NO BRASIL

Com a expansão da agenda do liberalismo econômico no país, reiniciada por Temer, a tendência é que os grandes grupos econômicos dominem ainda mais o mercado, piorando sobremaneira para a população. Na economia a crise tende a se elevar, pois, haverá maior desemprego, a atividade econômica reduzirá e o setor privado nessa perspectiva não terá interesse em investir no país,

                                Temos visto algumas declarações do novo presidente Jair Bolsonaro e de seu economista, Paulo Guedes, falando da agenda Liberal que pretendem implantar no País.

                               Então, nesse artigo falaremos da Teoria Liberal ou Liberalismo Econômico, passando uma outra visão da teoria na prática.

                               Não vamos entrar no debate sobre os autores dessa teoria, inclusive, no site há um link do vídeo do Gregório Duvivier que centra mais nesse assunto e que indico visualizarem.

                               Vamos falar sobre a prática, o liberalismo econômico, que é justamente a agenda do novo governo.

                               O liberalismo econômico tem como ponto central a não intervenção do Estado na economia, ou seja, o LIVRE MERCADO, onde as empresas possuem liberdade para praticar seus preços e ofertar seus produtos.

                               A ideia passa pela FAMOSA TEORIA DA “mão invisível”, onde para os Autores dessa teoria, o MERCADO SE AUTO REGULA.

                               COMO FUNCIONA:

                               Os produtores/empresários ofertam os produtos e decidem o preço a ser cobrado, porém se um deles cobrar um valor muito alto, seu concorrente, certamente cobrará um valor menor e consequentemente os consumidores passariam a comprar do concorrente, fazendo com que o empresário que cobrou o preço mais alto baixar o valor do seu produto, pois não conseguiria vender.

                               Numa análise simplista parece lógico essa conclusão e, na verdade, na fase da revolução industrial, por volta de 1776 na Europa, foi válida tal teoria, pois, naquele momento havia inúmeros empresários concorrendo, onde nenhum conseguiria determinar o preço de mercado, devido ao ELEVADO NÍVEL DE concorrência. Isso foi chamado na teoria de MERCADO COM CONCORRÊNCIA PERFEITA.

                               Ocorre que, DESDE 1776 até os dias atuais, o empresariado não só acumulou lucros, mas passou a CONCENTRAR em suas mãos, o mercado, significando em outras palavras, que uma empresa passou a comprar várias outras, formando os chamados monopólios e oligopólios.

                               Assim, quando você escuta falar grupo econômico tal, ou holding, são oligopólios que concentram diversas atividades/empresas em suas mãos, controlando o Mercado.

                               Nessa perspectiva, não há como falar em concorrência, muito menos perfeita, pois, a grande maioria dos setores econômicos passam a ser dominados por uma ou algumas empresas, ou seja, os preços começam a ser controlados por tais empresas.

                               ACABA-SE, então, a ideia da MÃO INVISIVEL, onde o MERCADO SE AUTO REGULA, pois as grandes empresas ou grupos econômicos começam a regular O MERCADO, ditando as regras de acordo com seus interesses.

                               Percebam que nessas condições se o Estado não regular ou entrar na economia iremos todos pagar elevados preços por produtos de péssima qualidade, visto que, o grande Empresário, obviamente, buscará sempre a maximização de seus interesses, ou seja, a elevação do seu lucro.

                               Outra premissa dessa teoria é que A OFERTA CRIAVA SUA PRÓPRIA DEMANDA, ou seja, a produção ou oferta dos empresários é quem era a responsável por gerar a demanda ou simplificando o consumo desses produtos.

                               O ciclo funcionaria da seguinte forma: Os empresários, num primeiro momento, produzem mercadorias (oferta), essa produção gera emprego e renda, com a renda gerada, automaticamente seria gerado consumo (demanda) (OFERTA GERANDO DEMANDA).

                               Ocorre que em 1930 a teoria liberal não estava explicando o que ocorria na prática, pois havia uma grande produção (OFERTA), entretanto, não estava havendo o consumo (DEMANDA) na mesma proporção, ou seja, A OFERTA NÃO ESTAVA GERANDO DEMANDA.

                               Com isso, houve um colapso na economia, uma das maiores crises vividas no mundo, CRISE DE SUPERPRODUÇÃO, ou seja, havia mais produtos a serem vendidos do que demanda para os consumir. Havia produtos no mercado que não tinha para quem vende-los.

                               Resultado foram inúmeras falências, desemprego e recessão, o mundo em colapso.

                               Foi a partir da CRISE DE 1930 que ganha força a TEORIA KEYNESIANA, que em seu fundamento diz justamente o contrário da Teoria Liberal, ou seja, que não é a OFERTA QUE GERA DEMANDA, MAS A DEMANDA QUEM GERA A OFERTA e, que para a economia seguir um fluxo positivo é necessário esquecer  A NÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA, esquece a ideia do LIVRE MERCADO e da auto regulação através da MÃO INVISIVEL.

                               Ou seja, KEYNES simplesmente disse: esqueçam o liberalismo econômico, pois se não esquecerem a economia não sairá do colapso, pois na situação de crise, os empresários não irão investir e OFERTAR, o que agravaria ainda mais a situação.

                               A teoria Keynesiana, prega então a intervenção total do Estado na Economia de todas as formas para tirá-la da crise. Essa teoria ficou conhecida como Estado do Bem Estar Social e foi aplicada em praticamente todos os países do mundo, inclusive, no período da ditadura militar, no Brasil.

                               Há que se destacar que o governo Lula/Dilma utilizaram a TEORIA KEYNEISIANA que também é uma teoria capitalista e não a Teoria Socialista como afirma o presidente Bolsonaro.

                               Percebam que se a teoria Keynesiana fosse socialismo, teríamos que afirmar que a ditadura militar foi socialista, o que, por óbvio é um total equívoco.  

                               Mas, voltemos ao Liberalismo Econômico.

                               A partir das questões práticas, acima relatadas, temos que o LIBERALISMO ECONÔMICO É TOTALMENTE FALHO e que numa crise como a vivida pelo Brasil atualmente, irá elevá-la, ao contrário de resolvê-la, pois temos duas questões fundamentais:

                               A primeira é que na atual estrutura do MERCADO com monopólios e oligopólios, não há como dizer que o MERCADO SE AUTO REGULARÁ, pois quem determina os preços são as grandes empresas ou grupos econômicos.

                               LIVRE MERCADO ou não INTERFERÊNCIA DO ESTADO significa que essas grandes empresas estarão livres para PRATICAR o preço que quiserem, pois não possuem concorrência.

                               O segundo é que a OFERTA OU A PRODUÇÃO NÃO É CAPAZ DE GERAR POR SI SÓ DEMANDA OU CONSUMO e isso já foi comprovado com UMA DAS MAIORES CRISES MUNDIAIS, a crise de 1930 que foi uma crise de SUPERPRODUÇÃO.

                               Não bastasse a crise de 1930, tivemos recentemente, outra crise onde se comprova a necessidade da intervenção do Estado na economia, em 2008, UM DOS MAIORES ÍCONES DO LIBERALISMO NO MUNDO, os EUA, tiveram que intervir fortemente na economia para tirá-la da crise, ou seja, quem o governo brasileiro idolatra (EUA), contraria diuturnamente a teoria liberal, pois o governo lá sempre intervém na economia para tirar ou não deixá-la entrar em crise. Segue alguns links dessa intervenção[i].

                               É preciso explicitar que, na verdade, a teoria liberal, tem como pano de fundo, a não intervenção do Estado na economia, entretanto, o que se vê é um Estado mínimo para a maioria da população, a classe trabalhadora e agigantado para uma minoria, os grandes empresários, industriais e rurais.   

                               É importante destacar para micros e pequeno empresários, se realizarem uma análise sob o prisma apenas de sua empresa, talvez, lhe pareça que a teoria liberal funcione, pois atuam num mercado super competitivo e certamente não possuem o poder de determinar preços, entretanto,  a análise que deve ser feita é:

1 - Quais as grandes empresas que fornecem os produtos para o pequeno empresário? Elas determinam ou não determinam preços? Há vários concorrentes ou uma empresa ou grupo econômico que domina o mercado?

2 – Caso uma grande empresa entrar nesse mercado dos pequenos eles conseguirão concorrer? Ou a tendência é a grande maioria quebrar e depois essa grande empresa dominar esse mercado e determinar ainda mais os preços?

                                Acredito que a resposta seja óbvia, mas se não for, analisem o que ocorre na prática.

                                Existe realmente um mercado com inúmeros pequenos empresários que concorrem entre si, porém, o preço não é determinado pela LIVRE CONCORRÊNCIA, MAS, SIM pelo FORNECEDOR que acaba sendo comum a todos, pois, possui o monopólio ou oligopólio.

                                De outro prisma, quando uma GRANDE EMPRESA (que pode ser o próprio fornecedor) decide entrar nesse mercado de pequenos, acaba levando a falência da maioria, concentrando em suas mãos todo o mercado, determinando, ainda mais os preços de mercado.

                               Ou seja, no Atual momento que vivemos falar em LIVRE MERCADO  ou que o MERCADO se auto regula É VERDADEIRAMENTE, DEIXAR LIVRE PARA o grande empresário praticar o preço que quiser em prejuízo a toda a sociedade.

                               Então para concluir, ao continuar a aplicação da agenda do liberalismo econômico no país, reiniciada com Temer, a tendência é que os grandes grupos econômicos dominem ainda mais o mercado, piorando sobremaneira para a população e ainda, a economia tende a entrar em crise, pois, haverá maior desemprego, a atividade econômica reduzirá e o setor privado nessa perspectiva não terá interesse em investir no país, ou seja, bem o contrário do que estão divulgando.

                             Além do exposto acima, haverá ainda a redução dos investimentos na Economia Real, tendo vista, que os investidores não terão boas perspectiva de retorno devido a queda no consumo e ao mesmo tempo a elevação ou migração dos recursos para a Economia Virtual (Bolsa de Valores), que certamente estará oferecendo vultosas taxas de rentabilidade.

                                O liberalismo econômico já possui seus resultados atualmente na economia do país,  pois, desde 2016, com o Impeachment de Dilma, Temer iniciou a agenda liberal com a redução ao máximo do Estado e o resultado é a crise generalizada em todo país.

                               Numa economia já em crise, a sanha liberal do governo Bolsonaro tenderá a reduzir ainda mais a atividade econômica, pois, com consumo em baixa, os empresários não investirão, ou seja, o ciclo econômico deve seguir um fluxo negativo, pois será reduzido o emprego e consequentemente a renda nacional e o consumo.

                               Nesse contexto, os grandes grupos econômicos que já monopolizam o mercado, tende a aumentar esse monopólio e as micro e pequenas empresas tendem a entrar em falência. Pois, só sobreviverá os grandes que possuem caixa para se manterem no pior momento da crise.

                               Esse é o outro lado da informação sobre o Liberalismo Econômico, no próximo artigo, iremos detalhar porque o programa liberal do Bolsonaro tende a levar o país a uma crise ainda maior.

 

[i] https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2008/10/081014_suecia_crise_cv_cq.shtml

https://jornalggn.com.br/noticia/a-crise-de-2008-como-washington-salvou-wall-street-por-motta-araujo

 


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